sábado, julho 28, 2007

Saúde no Canadá


Antes de virmos morar aqui no Canadá, uma das coisas que nos deixava preocupados era o sistema de saúde daqui. O sistema de saúde canadense é público e não existe a opção de médicos privados, todos os médicos são do governo, se você tem um problema de saúde você tem que seguir as regras do jogo, não importa quem você seja, um mendigo de rua, um trabalhador ou uma autoridade. Isso é bom, principalmente para quem está chegando e não conhece ninguém e é ruim porque você não tem a liberdade que tem no Brasil de escolher seu médico e ir visitá-lo sempre que achar necessário. Claro que estou falando de quem possui o luxo de ter um plano de saúde privado no Brasil. Sempre também nos foi falado que só se é atendido nos hospitais em casos graves, se o caso não for grave a espera seria imensa.

Aqui o sistema funciona da seguinte maneira, existe a figura do médico da família, é uma espécie de clínico geral. Quando se chega aqui você tem que se informar quais os médicos de família estão com vagas para receber novos pacientes. Uma vez com seu médico da família toda consulta de algum membro da família tem que ser com ele, não importa se o problema é de pele, no estômago ou na cabeça. Caso o caso seja mais grave o médico da família marca uma consulta para você no especialista, ele é quem marca, você não pode marcar direto. Caso você precise de uma consulta mas o médico da família não tenha horário disponível num curto prazo, você pode ir a um Centro Médico. No Centro Médico existe um médico de plantão para atender casos que não sejam graves, mas que está incomodando o paciente, como uma tosse forte, um mal estar, etc, eles funcional geralmente das 8 as 22 horas.

Infelizmente já tivemos que utilizar o sistema de saúde duas vezes, e para nossa surpresa ele funcionou muito bem, muito melhor que o esperado.

O primeiro caso foi Sílvia que estava com mal-estar, ânsia de vômito e forte dor-de-cabeça. Como achávamos que era difícil ser atendido em hospital, sem ainda ter o nosso médico de família e sem saber que existia o tal do Centro Médico, nem passou pela cabeça de tentar ir para um hospital. Por coincidência no dia que Sílvia estava passando mal um dos nossos amigos ligou para saber como estavam as coisas e Sílvia falou que não estava bem, ele disse que ia passar aqui para levá-la ao médico. Ele levou-a então a um Centro Médico, lá Sílvia foi atendida imediatamente, o médico examinou-a e receitou um remédio, no dia seguinte ela já estava boa.

O segundo caso aconteceu essa semana, Dudu estava com uma febre muito alta e o remédio já não estava surtindo efeito. À noite como ele não melhorava resolvemos levá-lo a um Centro Médico. Chamamos um taxi e fomos para o Centro Médico que Sílvia tinha sido atendido na semana anterior, chegando lá o médico falou que ele estava com temperatura na casa dos 40C e disse que era melhor levá-lo para o hospital, como não estávamos de carro ele chamou uma ambulância que chegou em 2 minutos e nos levou ao hospital infantil imediatamente, sirene ligada e tudo mais. Chegando lá entramos com Dudu na emergência infantil ele foi medicado. Ficamos no hospital até 1 da manhã com ele em observação, como ele melhorou voltamos para casa, antes o médico falou que se achar que o caso é grave leve logo para a emergência, principalmente se for criança.

No dia seguinte ele voltou a ter febre muito alta que não baixava, por volta das 5 horas da tarde ligamos para o 911 (telefone de emergência, polícia, bombeiro, ambulância) e pedimos uma ambulância, fomos para o hospital novamente. Lá, ele com febre muito alta e já um pouco desidratado, porque nao queria comer nem beber nada, resolveram interná-lo para dar soro e fazer exame de sangue e urina para ver qual o problema. Passamos a noite no hospital em um quarto individual. Tudo muito organizado, Dudu entrou na ala infantil de máscara no rosto para não contaminar outras crianças, nem ser contaminado por elas. Os médicos sempre que iam entrar no quarto vestiam uma roupa na porta, esterelizavam as mãos e entravam, após examiná-lo, tiravam a roupa e colocavam num cesto de roupas sujas ao lado da porta de saída do quarto, eles não circulavam pelo hospital com a roupa pra não passar vírus ou bactérias de uma criança para outra. Os exames diagnosticaram que Dudu estava com um vírus na garganta, deram remédio e no dia seguinte a internação ele foi liberado para voltar para casa. Motivo do problema: indefinido. Esse vírus ele pode ter pego em qualquer lugar, de qualquer pessoa. Agora ele está bem melhor, a febre sumiu e só restou um pouco de tosse. Graças a Deus!

Para um sistema público de saúde, fomos muito bem atendidos, e o melhor, esse atendimento é para qualquer pessoa não importa o tamanho da conta bancária. Mas o melhor mesmo era não ter utilizado nada disso.

Grande abraço.

3 comentários:

Leonardo disse...

Passar por essas coisas com os filhos é duro e sempre ficamos muito preocupados. Que bom que tudo deu certo e que todos vocês estão bem agora. Abraços.

Emir disse...

Pois é amigo, se fosse aqui no Brasil, os médicos diriam que Dudu tava com uma virose e pronto, num ia precisar dessa frescuragem toda não... :-)

Anônimo disse...

Ao menos é bom saber que, se precisarem de outra vez, estará tudo à disposição...
Fica bom logo pinche...
Patty, cuidado com suas dores de cabeça! ;-)
beijos em todos
Flávia